Se Piadinha
Aug 25



por José Roberto Malia para o ESPN.com.br

Pois é, a participação da maior delegação brasileira da história olímpica (277 atletas) não poderia ter sido mais profícua: extraordinárias 15 medalhas - três de ouro, quatro de prata e oito de bronze. Passando a régua, 0,054 medalha por integrante. Produto, sem dúvida, de uma política esportiva de causar inveja a uma pobre Jamaica, obrigada a se contentar com velocistas sem a mínima condição de calçar sapatilhas verde e amarela.

Certamente o dadivoso presidente do COB, o eterno Carlos Arthur Nuzman, e o ministro olímpico Orlando Silva Júnior voltarão ao país das maravilhas do mestre Tatoo com um sorriso de orelha a orelha, mergulhados em malabarismos matemáticos. Não há motivos para deixar de soltar mais fogos que os chineses na festa e no encerramento dos Jogos.

Graças a um bem planejado investimento de R$ 100 milhões, a equipe de Pequim conseguiu a proeza de empatar em número de medalhas com a turma (225 atletas) de Atlanta/96. Mas no tira-teima, leva vantagem: obteve uma prata a mais.

Superou também o pessoal (247 atletas) de quatro anos atrás, em Atenas. No berço olímpico grego, o time faturou 10 medalhas. Tudo bem que ganhou dois ouros a mais, porém o que importa é a quantidade e não a qualidade. O brilho é apenas um detalhe, já dizia o filósofo Confúcio Parreira. Se os Estados Unidos podem subverter a história dos Jogos para vender uma falsa superioridade sobre a China, por que o Brasil precisa respeitar as regras? E, também, não é necessário lembrar que o combustível financeiro do governo foi muito menor em Atlanta e Atenas - gastou-se gasolina para impulsionar um Fusca.

Olimpicamente falando, pode-se dizer que o Brasil cumpriu à risca a profecia do ministro do Esporte ao aterrissar em Pequim: “Acho que teremos os melhores resultados da história. Nunca houve uma preparação tão boa.”

Palavras referendadas por Nuzman, após a festa chinesa: “Foi uma participação que nos orgulhou. É mais um passo no processo de evolução do esporte brasileiro.” Na mosca. Terminamos em uma cobiçada 23ª colocação, à frente de potências como Albânia, Andorra, Bangladesh, Botsuana, Eritréia, Kiribati, Serra Leoa, Suazilândia, Tonga e a quase sempre campeã São Vicente e Granadinas.

Que venha a Olimpíada de 2016! O Cristo Redentor já está de braços abertos para receber mais uma enxurrada de medalhas.

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2+2=5. O supimpa Carlos Arthur Nuzman é um brilhante aritmético. Primeiro, usa o total de medalhas para provar que o Brasil terminou em 17º lugar e não em 23º, como manda o figurino. Depois, volta à classificação tradicional, em que o ouro vale mais, para cantar em prosa e verso que o país ficou à frente de Cuba, “um mito ultrapassado”.

Pingüim. O presidente Lula anda numa fase esportiva sensacional. O Corinthians, time do coração, foi rebaixado para a segunda divisão. O Fluminense, depois que Lula posou com a camisa do clube, perdeu a Libertadores no Maracanã. Depois de ser abraçado pelo presidente, o ginasta Diego Hypolito perdeu o ouro na última pirueta. E as meninas do futebol, após vários elogios de Lula, ficaram com o gosto amargo da prata.

Bico do corvo. Não tem choro nem vela. A volta de Dunga aos braços da Branca de Neve está nos pés de Valdivia e companhia. Se o Brasil levar chumbo em 7 de setembro, em Santiago, o técnico-patrão poderá se dedicar de corpo e alma às criações da filha estilista. Dá-lhe, Chile!

Cabo eleitoral. O técnico Vanderlei Luxemburgo tem um importante aliado na briga com outros treinadores para suceder Dunga. O jornalista J.Hawilla, dono da Traffic, empresa que domina o melhor futebol do Palmeiras, é irmão de fé do rei da bola, Ricardo Teixeira.

Clone. Qualquer semelhança entre os ranzinzas Dunga e Bernardinho não é mera coincidência. Eles adoram destilar rancor nas entrevistas. Que o digam Kaká e Ricardinho. Haja alfinetada no vodu.

DataLetra. Em 20 participações olímpicas, o Brasil amealhou 91 medalhas – 19 de ouro, 26 de prata e 46 de bronze. Apenas em Pequim, os EUA ganharam 110, e a China, 100.

Tititi d’Aline. O líbero Escadinha adora uma banheira com cheiro de gasolina. O jogador da seleção de vôlei tem uma pequena frota de carros antigos: Galaxie/74, Caprice/74 e Lincoln/76. As máquinas reluzem na garagem de sua casa, em Pirituba. E o dono do posto ao lado esfrega as mãos de felicidade.

Bola de ouro. Atletas brasileiros. Independentemente de medalha, devem ser tratados com o máximo respeito, já que a política esportiva no país é tão eficiente quanto saúde, educação e segurança.

Bola de latão. Comitê Olímpico Brasileiro. Insiste em ganhar a corrida olímpica de 2016 mesmo com uma política de patinete para o esporte.

Bola sete. “Ricardo Teixeira, que convocou Ronaldinho para atender interesses comerciais, deveria agora atender aos pedidos da maioria da torcida, que quer outro técnico na seleção principal” (do pequeno grande Tostão, tricampeão mundial no México).

Dúvida pertinente. O Brasil foi a Pequim para lutar por ouro, prata e bronze ou para levar ferro?





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